«Queres ser curado?» A quaresma conduz ao batismo
São Máximo de Turim (?-c. 420) bispo
Sermão para a quaresma; PL 57, 585
Lemos no Antigo Testamento que, no tempo de Noé, como todo o género humano tivesse sido vencido pelo pecado, as cataratas do céu se abriram e durante quarenta dias e quarenta noites choveu sem cessar. […] Foi um acontecimento simbólico: tratava-se mais de um batismo do que de um dilúvio; na verdade, foi um batismo que lavou a maldade dos pecadores e poupou a retidão de Noé. Tal como nessa época, também hoje o Senhor nos oferece a quaresma, a fim de que os céus se abram durante o mesmo número de dias para nos inundar com a chuva da misericórdia divina. Uma vez lavados nas águas salvíficas do batismo, este sacramento ilumina-nos; tal como outrora, as águas levam o mal das nossas faltas e reafirmam a retidão das nossas virtudes. A situação é a mesma que no tempo de Noé: o batismo é dilúvio para o pecador e consagração para os que são fiéis; no batismo, o Senhor salva a justiça e destrói a injustiça. Vemo-lo no exemplo do apóstolo Paulo: antes de ser purificado pelos mandamentos espirituais, era um perseguidor e um blasfemo (cf 1Tim 1,13); uma vez banhado pela chuva celeste do batismo, o blasfemo morreu, morreu o perseguidor, Saulo morreu e tomou vida o apóstolo, o justo, Paulo. […] Quem viver religiosamente a quaresma e observar os preceitos do Senhor, verá morrer em si o pecado e viver a graça […]; morre como pecador, para viver como justo.