Perscruta os mistérios invisíveis de Deus!
Santo Agostinho (354-430)bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Confissões X, 6
O céu e a terra e tudo o que neles existe de toda a parte me dizem que Te ame, e não cessam de o dizer a todos os homens, para que não tenham desculpa (cf Rm 1,20). Mas, a um nível mais profundo, terás misericórdia de quem quiseres ter misericórdia e usarás de misericórdia com quem quiseres usar de misericórdia (cf Rm 9,15), pois, caso contrário, o céu e a terra cantarão os teus louvores a ouvidos surdos. […] Disse a todos os seres que rodeiam as portas da minha carne: «Falai-me do meu Deus, já que vós não o sois, dizei-me algo sobre Ele». E eles gritaram com voz forte: «Foi Ele mesmo que nos fez» (Sl 99,3). A minha pergunta era a minha atenção; a resposta deles, a sua beleza. Mas será possível que esta beleza não seja manifesta a todos quantos têm integrais os seus sentidos? Porque não fala a mesma linguagem com todos? Na verdade, os animais, grandes e pequenos, veem-na, mas não a podem questionar, porque lhes falta esse juiz das mensagens dos sentidos que é a razão. Os homens, pelo contrário, podem fazer perguntas, para que os mistérios invisíveis de Deus se tornem inteligíveis para eles através dos seres criados (cf Rm 1,20).
