O vinho novo da verdadeira alegria

São Máximo de Turim (?-c. 420) bispo
Homilia 23; PL 57, 274

Está escrito que o Senhor foi a um casamento para o qual tinha sido convidado. O Filho de Deus foi a este casamento santificar com a sua presença o matrimónio que já tinha instituído. Foi a um casamento da Antiga Lei para escolher, no povo pagão, uma esposa que permanecesse virgem. Aquele que não nasceu de um casamento humano foi a estas bodas; e não foi para participar num alegre banquete, mas para Se revelar por meio de um prodígio verdadeiramente admirável; não foi beber vinho, mas dar vinho. Porque, quando faltou vinho aos convidados, a bem-aventurada Virgem Maria disse-Lhe: «Não têm vinho!» Jesus, aparentemente contrariado, respondeu-lhe: «Mulher, que temos nós com isso?» […] Ao responder: «Ainda não chegou a minha hora», referia-Se certamente à hora gloriosa da sua Paixão, onde o vinho foi derramado para vida e salvação de todos. Maria pedia-Lhe um favor temporal e Cristo preparava uma alegria eterna. Mas o Senhor é tão bom que não hesita em conceder pequenas coisas enquanto não chegam as grandes. A bem-aventurada Virgem Maria, sendo verdadeiramente Mãe do Senhor, viu em pensamento o que ia passar-se e conheceu antecipadamente a vontade do Senhor. Por isso, teve o cuidado de dizer aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser». A Santa Mãe sabia certamente que a palavra de censura que o Filho lhe tinha dirigido não ocultava o ressentimento de um homem irritado, mas continha um mistério de compaixão. […] E eis que, subitamente, aquelas águas começaram a receber força, a tomar cor, a difundir um bom odor, a adquirir gosto, e a sua natureza a mudar por completo. E esta transformação das águas noutra substância manifestou a presença do Criador, porque ninguém é capaz de transformar a água noutra coisa senão Aquele que a criou do nada.

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