«O teu filho vive»

Santo Anastácio de Antioquia (?-599) monge, depois patriarca de Antioquia
Homilia 5 sobre a ressurreição de Cristo, 6-9

«Cristo morreu e ressuscitou para ser o Senhor dos vivos e dos mortos» (Rom 14,9), pois Deus «não é Deus de mortos, mas de vivos» (Lc 20,38). Portanto, uma vez que este Senhor dos mortos está vivo, os mortos já não estão mortos, mas vivos: a vida reina neles, para que vivam sem temer a morte. Do mesmo modo que «uma vez ressuscitado dos mortos, Cristo já não pode morrer» (Rom 6,9), assim também eles, elevados e libertados do estado perecível, nunca mais verão a morte, mas participarão da ressurreição de Cristo, como Ele próprio participou da nossa morte. Com efeito, Cristo desceu à Terra para fazer «em pedaços as portas de bronze» e quebrar «as barras de ferro» (Sl 107,16) que estavam fechadas desde sempre, para arrancar a nossa vida ao seu estado perecível e nos atrair a Si, chamando-nos da escravidão à liberdade. Se esse plano de salvação ainda não se concretizou, se os homens continuam a morrer e os seus corpos se dissolvem nos túmulos, que isso não seja obstáculo à fé. Pois já desde agora recebemos o penhor de todos os bens que nos foram prometidos na pessoa daquele que é o nosso primogénito, através do qual subimos ao mais alto dos Céus; pois estamos sentados junto daquele que nos elevou consigo às alturas, como diz São Paulo: «Com Ele [Deus] nos ressuscitou e com Ele nos fez sentar nos Céus» (Ef 2,6).  

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