«O pão de Deus é o que desce do Céu para dar a vida ao mundo»
Balduíno de Ford (?-c. 1190) abade cisterciense, depois bispo
O Sacramento do altar II, 3; SC 93
Cristo é o pão da vida para os que creem nele: crer em Cristo é comer o pão da vida, é possuir Cristo em si, é possuir a vida eterna. […] «Eu sou o pão da vida. No deserto, os vossos pais comeram o maná e morreram» (Jo 6,48ss). Aqui, deve entender-se que se trata da morte espiritual. Porque morreram eles? Porque acreditavam no que viam e não compreendiam o que não viam. […] Moisés comeu o maná, Aarão comeu-o, e muitos outros, que agradaram a Deus e não morreram. Porque foi que não morreram? Porque compreenderam espiritualmente, porque tiveram fome espiritualmente e provaram espiritualmente o maná para serem espiritualmente saciados. «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente» (v. 50). Esse pão, isto é, o próprio Cristo que assim falava […], foi prefigurado pelo maná, mas pode mais que o maná. Pois o maná não podia, por si próprio, impedir a morte espiritual. […] Mas os justos viram no maná a Cristo, acreditaram na sua vinda, e Cristo, que o maná simbolizava, dá a todos os que creem nele o poder de não morrerem espiritualmente. Por isso disse: «Eu sou o pão vivo que desceu do Céu. Quem comer deste pão viverá eternamente». Eis aqui na Terra, aqui, agora, diante dos vossos olhos, dos vossos olhos de carne, o «pão que desceu do Céu». Este é o pão que desce do Céu; se alguém comer dele, não morrerá. O «pão da vida» de há pouco chama-se agora «pão vivo». Pão vivo porque possui em Si mesmo a vida que permanece e porque pode livrar da morte espiritual e dar a vida. Ele também disse: se alguém comer dele, não morrerá; agora fala claramente da vida: «Quem comer deste pão viverá eternamente» (v. 58).