O dedo de Deus
Santo Amadeu de Lausana (1108-1159)monge cisterciense, bispo
4.ª Homilia mariana; SC 72
«Que a tua mão venha em meu auxílio» (Sl 119,173). Chamamos mão de Deus ao Filho unigénito, por quem Deus criou todas as coisas. Esta mão interveio quando tomou a nossa carne, não causando qualquer ferimento a sua mãe, mas também, segundo o testemunho do profeta, tomando sobre Si as nossas doenças e carregando as nossas dores (cf Is 53,4). Sim, verdadeiramente, essa mão plena de curas e remédios sarou todas as doenças, afastou tudo o que conduzia à morte; ressuscitou mortos; derrubou as portas do inferno; prendeu o forte e despojou-o das suas armas; abriu o Céu; derramou o Espírito de amor no coração dos seus. Essa mão liberta os prisioneiros e dá vista aos cegos; levanta os caídos; ama os justos e protege os estrangeiros; alberga o órfão e a viúva; arranca à tentação os que estão ameaçados de sucumbir a ela; restaura, pelo conforto que dá, os que sofrem; dá alegria aos aflitos; abriga à sua sombra os atormentados; escreve aos que querem meditar sobre a sua Lei; toca e abençoa o coração dos que rezam, firmando-os no amor através do seu contacto, fazendo-os progredir e perseverar nas suas obras; por fim, condu-los à pátria, reconduzindo-os ao Pai. Pois, se Se fez carne, foi para atrair o homem por um homem, unindo a sua à nossa carne, para, no seu amor, reconduzir a ovelha perdida a Deus Pai todo-poderoso e invisível. Uma vez que essa ovelha, por ter abandonado a Deus, tinha caído na carne, era necessário que o mistério da encarnação lhe dessa mão e a conduzisse, reerguendo-a e conduzindo-a ao Pai (cf. Lc 15,4s).