«Estavam junto à cruz de Jesus sua Mãe»
Há dois tipos de martírio: um manifesto, outro secreto; um visível, outro oculto; um na carne, outro no coração. […] O martírio do coração supera os tormentos da carne. A Virgem gloriosa triunfou neste género de sofrimento, e foi tanto mais gloriosa quanto mais perto estava da cruz adorável da Paixão do Senhor, bebendo o cálice, bebendo a Paixão e, saciando-se na torrente da dor, suportando uma dor sem igual. Ela não seguiu Jesus só na fragrância dos seus perfumes, mas também na abundância das suas dores; não só na alegria da consolação, mas também no desbordar do sofrimento. Como Mãe, viu o seu Filho, o verdadeiro Salomão, com o diadema com que O tinha coroado e, coroada ela própria com uma coroa de aflição, seguiu-O. Ela estava de pé junto à cruz (cf Jo 19,25) para ver […] a doce cabeça do seu Filho, essa cabeça que fora ungida com óleo, ser agredida com uma cana e coroada de espinhos. Ela viu o mais belo dos filhos dos homens já sem brilho nem beleza. Ela viu Aquele que é exaltado acima de todos os povos ser desprezado e remetido para último lugar. Viu o Santo dos santos ser crucificado com os celerados e os ímpios. Ela viu os olhos deste Homem sublime baixarem-se, a cabeça daquele que sustenta o Universo inclinar-se sobre os ombros, o rosto sereníssimo de Deus murchar, e a beleza do seu rosto desaparecer.
Santo Amadeu de Lausana (1108-1159) monge cisterciense, bispo – Homilia mariana V, SC 72
