Aquele que julga é mais culpado do que aquele que é julgado

São João-Maria Vianney (1786-1859)
presbítero, Cura de Ars
Sermão para o 11.º Domingo depois do Pentecostes

Vemos que o fariseu julgou o publicano de forma temerária, chamando-lhe ladrão, porque ele cobrava os impostos, dizendo, sem o saber, que ele exigia mais do que devia e usava a sua autoridade para cometer injustiças. No entanto, este pretenso ladrão retirou-se da presença de Deus justificado, e o fariseu, que se julgava perfeito, voltou para casa mais culpado; o que mostra que, na maior parte dos casos, aquele que julga é mais culpado do que aquele que é julgado. […] Estes corações maus são corações orgulhosos, invejosos e ciumentos, pois são estes três vícios que estão na origem de todos os juízos que fazemos sobre o nosso próximo. […] Alguém foi roubado? Perdeu-se alguma coisa? Pensamos logo que pode ter sido tal ou tal pessoa, e fazemo-lo sem ter o menor conhecimento dos factos. Ah, meus irmãos, se conhecêsseis bem este pecado, veríeis que é um dos pecados mais temíveis, menos conhecidos e mais difíceis de corrigir. Escutai os corações que estão impregnados deste vício: se alguém que ocupa um cargo comete erros, concluem imediatamente que todos os que ocupam esse cargo fazem o mesmo, que não são melhores do que os outros, que são todos ladrões e espertalhões. […] Ah, meus irmãos, se tivéssemos a felicidade de não ser orgulhosos nem invejosos, nunca julgaríamos ninguém e contentar-nos-íamos em chorar as nossas misérias espirituais e rezar pelos pobres pecadores; estando bem convencidos de que Deus só nos pedirá contas das nossas ações e não das dos outros.

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