«Aproximou-se, ligou-lhe as feridas»
Fui para longe, Amigo do homem, habitei no deserto, Escondi-me de ti, meu doce Mestre, mergulhei na noite das preocupações da vida onde sofri muitos ataques e muitas feridas, de onde regresso com a alma cheia de cicatrizes; e, na minha dor e no sofrimento do meu coração, brado: Tem piedade de mim, tem misericórdia deste pecador! Médico que amas as almas, que amas a misericórdia, que curas gratuitamente os doentes e os feridos, sê o médico das minhas contusões e das minhas feridas! Destila o óleo da tua graça, meu Deus, espalha-o sobre as minhas feridas, sela as minhas úlceras, cura e revigora os meus membros decadentes, apaga todas as cicatrizes, meu Salvador, restitui-me a saúde total e perfeita. […] Deixei-me ir, Mestre, porque confiei em mim próprio; deixei-me levar pelo desassossego com as coisas deste mundo e sucumbi, mal de mim, à preocupação com as coisas da vida. Como o ferro arrefecido, tornei-me negro e, à força de me arrastar pelo chão, ganhei ferrugem. Por isso clamo a ti, para ser novamente purificado, peço-te, Amigo do homem, que me devolvas a minha beleza original, para gozar a tua luz agora e para todo o sempre. Amém.
Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego Hinos 46, SC 196