Evitemos parecer-nos com o «rico mau»!
São Basílio (c. 330-379) monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja
Homilia sobre a caridade
Tem cuidado, irmão, não vá o destino do «rico mau» ser também o teu. Se esta história foi escrita, é para que evitemos ser como ele. Homem, imita a terra, dando frutos como ela; não te mostres menos bom do que ela, que não tem alma. A terra não dá frutos para si mesma, mas para o teu serviço; com a vantagem de que os benefícios da tua benevolência revertem a teu favor, pois é aos benfeitores que cabe sempre a recompensa do bem que fizeram. […] Porque te atormentas tanto e fazes tanto esforço para esconder a tua riqueza atrás de argamassa e tijolos? […] Quer queiras quer não, um dia terás de deixar o teu dinheiro; pelo contrário, levarás contigo à presença do soberano Mestre a glória do bem que fizeste, quando todo um povo, correndo a defender-te perante o juiz comum, te chamar nomes que dirão que os alimentaste, que os ajudaste, que foste bom. […] Como deverias estar grato, feliz e orgulhoso pela honra que te foi concedida: não seres tu que vais incomodar os outros à sua porta, serem os outros que se acotovelam diante da tua. Mas tornas-te inacessível, foges a esses encontros com medo de ter de ceder um pouco daquilo que guardas com tanto zelo. E só sabes dizer: «Não tenho nada, não te dou nada, porque sou pobre». És pobre de facto, e pobre em todos os sentidos: pobre de amor, pobre de bondade, pobre de confiança em Deus, pobre de esperança eterna.
