A caridade, princípio e fim de todas as coisas
Isaac da Estrela (?-c. 1171) monge cisterciense
Sermão 31; PL 194, 1792-1793
Porque temos tão pouco interesse em procurar oportunidades de salvação uns para os outros, ajudando-nos mais uns aos outros onde vemos que seria mais necessário, e carregando os fardos uns dos outros? O apóstolo exorta-nos a isso quando diz: «Carregai as cargas uns dos outros e assim cumprireis plenamente a lei de Cristo» (Gal 6,2); e também: «Suportai-vos uns aos outros com caridade» (Ef 4,2). É esta de facto a lei de Cristo. Quando percebo algum elemento incorrigível no meu irmão, em consequência de dificuldades ou enfermidades físicas ou morais, porque não o suporto com paciência e o consolo de todo o coração, segundo as palavras da Escritura: «Os seus meninos de peito serão levados ao colo e acariciados sobre os joelhos» (Is 66,12)? Faltar-me-á a caridade que tudo suporta, que é paciente a sustentar, indulgente a amar? (cf 1Cor 13,7). Esta é a lei de Cristo; na sua Paixão, «Ele suportou as nossas enfermidades» e, na sua misericórdia, «tomou sobre si as nossas dores» (Is 53,4) […]. Qualquer tipo de vida que nos permita dedicarmo-nos mais sinceramente ao amor de Deus e, por Ele, ao amor do próximo – independentemente de hábitos e observâncias – é mais agradável a Deus. Caridade: é por ela que tudo deve ser feito ou omitido, alterado ou deixado na mesma. A caridade é o princípio e o fim para o qual tudo deve ser orientado. Não há culpa naquilo que, em boa verdade, se faz por ela e segundo o seu espírito. Que Ele no-la conceda, pois sem ela não podemos agradar-Lhe e nada podemos fazer.
