As núpcias do Filho de Deus

Cristo diz-nos: «O Reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho». Quem é que este rei e este filho representam? Quem são os convidados para este festim de bodas? Haverá algum mistério por trás desta alegoria? Segundo os Doutores da Igreja, o Rei é o Pai celestial. Quando, para redimir o mundo, o Pai decretou a encarnação do Verbo, estava a preparar, pela união da natureza humana com a pessoa divina, um maravilhoso banquete nupcial. A encarnação do Verbo é nupcial, porque, ao receber a humanidade santa como sua, o Filho de Deus fez dela sua esposa. Estas eram já, no sentido mais elevado, as «núpcias do Cordeiro» (Ap 19,7). […] Para Cristo, a união com a sua Igreja significa sobretudo a união com cada alma através da graça santificante e da caridade. De facto, escreve São Paulo aos coríntios: «Foi com um só esposo, Cristo, que vos desposei, para vos apresentar a Ele como virgem pura» (2 Cor 11, 2) […] O rei tinha convidado muitos convivas para participarem no banquete, mas todos se escusaram. Por isso, enviou os seus servos às encruzilhadas para chamar os mais pobres para o farto banquete que tinha preparado. Deste modo, a sala do banquete foi aberta aos humildes, aos doentes e até aos aleijados. Quem é que esta multidão representa? […] Vemos nela o povo cristão, chamado pela munificência divina ao banquete eucarístico. Aqueles que participam dos mistérios sagrados gozam da união de amor reservada aos convidados do banquete; Cristo toma posse das suas almas e eles, por sua vez, possuem-no na fé e na caridade. Esta união imita, de certo modo, a da santa humanidade com o Verbo, que é o modelo de todas as relações de intimidade e de amor entre a criatura e o seu Deus. É a estas alturas da vida sobrenatural que todos somos convidados.

Beato Columba Marmion (1858-1923) abade – O festim eucarístico

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