«Deus […] deseja que todos os homens se salvem» (1Tm 2,4)
São João Cassiano (c. 360-435)fundador de mosteiro em Marselha
«Sobre a proteção de Deus», cap. VII; SC 54
Deus não criou o homem para que ele perecesse, mas para que vivesse eternamente, e este desígnio permanece inalterado. Assim que vê brotar em nós a mais pequena centelha de boa vontade, ou que Ele próprio a faz brotar da pedra dura do nosso coração, a sua bondade cuida dela com atenção: estimula-a, fortalece-a com a sua inspiração, pois Ele «deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1Tm 2,4) «Não é da vontade do vosso Pai que está nos céus que se perca nem um destes pequeninos», diz o Senhor (Mt 18,14). […] Deus é verdadeiro, e não mente quando jura: «Pela minha vida, oráculo de Deus, o Senhor, Eu não desejo a morte do malfeitor, mas, pelo contrário, que o malfeitor se converta do seu caminho e viva» (Ez 33,11). Se não é da sua vontade que um só destes pequeninos se perca, poderemos pensar, sem cometer um enorme sacrilégio, que Ele não quer a salvação de todos em geral, mas apenas de alguns? Quem se perde, perde-se contra a sua vontade, pois Ele grita-lhes todos os dias: «Convertei-vos dos vossos maus caminhos! Porque haveríeis vós de morrer, ó casa de Israel?» (Ez 33,11); e ainda: «Quantas vezes quis reunir os teus filhos, como uma galinha reúne os seus pintainhos debaixo das asas, e vós não quisestes!» (Mt 23,37); ou também: «Por que se revolta, então, este povo e Jerusalém persiste na revolta? Obstinam-se na falsidade e recusam voltar atrás» (Jer 8,5). A graça de Cristo está sempre à nossa disposição. Uma vez que Ele «deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade», também os chama a todos, sem exceção: «Vinde a Mim, todos os que andais fatigados e oprimidos, e Eu vos darei descanso» (Mt 11,28).
