A economia da salvação

Da Constituição Sacrosanctum Concilium
do Concilio Vaticano II, sobre a sagrada Liturgia (Nn. 5-6) (séc. XX)

   Deus, que quer salvar todos os homens e levá-los ao conhecimento da verdade, tendo falado outrora muitas vezes e de muitos modos aos nossos pais pelos Profetas, quando chegou a plenitude dos tempos, enviou o seu Filho, Verbo feito carne, ungido pelo Espírito Santo, para anunciar a boa nova aos pobres e curar os contritos de coração, como médico da carne e do espírito, mediador entre Deus e os homens. A sua humanidade, na unidade da pessoa do Verbo, foi o instrumento da nossa salvação. Por isso, em Cristo se realizou plenamente a nossa reconciliação com Deus e nos foi dada a plenitude do culto divino.
   Esta obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, prefigurada pelas obras maravilhosas que Deus operou no povo da Antiga Aliança, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada paixão, ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão. Por este mistério, morrendo destruiu a nossa morte e ressuscitando restituiu-nos a vida. Foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o sacramento admirável de toda a Igreja.
    Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, assim também Ele enviou os Apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para pregar o Evangelho a toda a criatura, anunciando que o Filho de Deus, pela sua morte e ressurreição, nos libertou da morte e do poder de Satanás e nos introduziu no reino do Pai, mas também para realizar a obra da salvação que anunciavam, por meio do sacrifício e dos sacramentos, à volta dos quais se desenvolve toda a vida litúrgica.
   Pelo Baptismo, os homens são incorporados no mistério pascal de Cristo: mortos com Ele, sepultados com Ele e com Ele ressuscitados, recebem o Espírito de adopção filial que nos faz clamar: Abba, Pai, transformando-se assim nos verda- deiros adoradores que o Pai procura.
   Do mesmo modo, sempre que comem a Ceia do Senhor, anunciam a sua morte, até que Ele venha. Por isso, no próprio dia de Pentecostes, em que a Igreja se manifestou ao mundo, os que receberam a palavra de Pedro foram baptizados. E eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fracção do pão e às orações, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo.
   Desde então, nunca mais a Igreja deixou de se reunir em assembleia para celebrar o mistério pascal, lendo o que se referia a Ele em todas as Escrituras, celebrando a Eucaristia na qual se torna presente o triunfo e a vitória da sua morte, e dando graças a Deus pelo seu dom inefável em Cristo Jesus, para louvor da sua glória.

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