A incomparável beleza da vida escondida em Deus

São Charles de Foucauld (1858-1916) eremita e missionário no Saara – Retiro em Efrém

[Nosso Senhor:] «Depois da minha apresentação e da minha fuga para o Egito, retirei-Me para Nazaré, onde passei os anos da minha infância e juventude, até aos trinta anos […] Foi para vossa instrução que vivi assim: durante estes trinta anos, nunca deixei de vos instruir, não por palavras, mas pelo meu silêncio e o meu exemplo. O que vos ensinei? Em primeiro lugar, que podeis fazer bem aos homens, muito bem, um bem infinito, um bem divino, sem palavras, sem sermões, sem ruído, em silêncio e dando bom exemplo. […] Exemplo de quê? Exemplo de piedade, de cumprimento amoroso dos deveres para com Deus, de bondade com todos os homens, de ternura com os que nos rodeiam, dos deveres domésticos santificados; de pobreza, de trabalho, de abjeção, de recolhimento, […] da obscuridade de uma vida escondida em Deus, de uma vida de oração, de penitência, de recolhimento, perdida e encerrada em Deus. Ensinei-vos a viver do trabalho das vossas mãos, para não serdes um peso para ninguém e terdes que dar aos pobres, e dei a este tipo de vida uma beleza incomparável […], a beleza de ser uma imitação da minha vida. […] Quem quiser ser perfeito deve viver pobremente, na mais fiel imitação da minha pobreza em Nazaré. […] Eu preguei a humildade em Nazaré, passando trinta anos de trabalho obscuro; a obscuridade de permanecer desconhecido durante trinta anos, Eu, que sou a luz do mundo; a obediência, Eu, que durante trinta anos fui submisso a meus pais, santos sem dúvida, mas homens, e Eu sou Deus!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *